Espero, depois desta vida,
encontrar as pérolas que me roubaram.
Aquele pedaço de dente cor de marfim
que era meu e que perdi.
Urso de pelúcia de que não gosto
porque nunca tive.
E a torta de nozes que não provei.
Espero revistar as malas
que não tive tempo de abrir
nesta vida que me é tão apressada.
Espero, depois de meu certeiro cadáver,
saber onde está a fonte dos pensamentos,
a mente,
a razão,
a demente sede de ouro e prazer.
Depois de meu certeiro cadáver,
espero nascer flores contadas,
dias,
mentes claras,
e, se possível,
nunca mais morrer.
